Saturday, May 16, 2015

(Continuando post anterior sobre hierarquias)

Nao vejo nenhum lugar do mundo, e falo isso com uma bagagem profissional que me dá o direito de ter essa opiniao sem medo de errar, que seria tal como o Brasil, o país do "voce sabe com quem tá falando". No Brasil, abuso de poder é visto como algo normal. O abuso de poder nao engloba somente a polícia que entra nos barracos sem ordem judicial, mas ele tá totalmente inserido na sociedade. Imunidades parlamentares sao as impunidades parlamentares e demonstram como é verdade que "todos somos iguais, mas uns sao mais iguais que os outros", a impunidade é relativa de acordo com a sua classe social, ou status.
Agora que se discute tanto a reducao da maioridade penal, escrevo essas linhas porque tenho uma idéia do que isso representa. Penso que, em menos de 5 anos, com essa reducao aprovada, vamos ter um aumento de presídios a tal ponto que ficará inviável pro Estado cuidar deles, e, assim como nos EUA, passarao a ser privatizados. Ou seja, darao lucro pra alguem, no caso o empresário que montou um presídio, que ganha subsídio do governo pra manter o presídio com pelo menos 90% da capacidade. O Brasil é o terceiro país que mais prende no mundo, O que isso tem a ver com hierarquias? Tudo, somos uma sociedade excludente, segregadora, conservadora ao extremo, formada por individualistas, nem um pouco cordiais (a famosa "cordialidade brasileira"). Vendo hoje um vídeo de uma mulher que, traída pelo marido que transou com a empregada, aparece espancando a sujeita e despindo-a e obrigando ela a ir pra rua, nuazinha, depois de puxando a mulher pelo cabelo. O filme é algo deplorável, abominável acho até que por gente dos setores mais extremos de direita (espero). E, mesmo sendo um exemplo, deixa claro o retrato da sociedade brasileira. Uma sociedade sem pena, sem remorsos, repressora, violenta, enfim, que age por instinto, que pensa pouco (ou nao pensa at all). Lembro de outros vídeos que deixam claro isso tb, mas o que eu me interesso é em comparar o Brasil com os demais países do mundo e ver como está clara a diferenca de como se enxerga o poder, de como se supervaloriza as hierarquias e a superioridade moral, social, ou economica.


Wednesday, November 26, 2014

O sujeito é parado no transito. Dirige sem placa e sem CNH. A agente de transito rapidamente tenta aplicar uma multa ao que ouve:
- Peraí, vc nao sabe com quem está falando.
O sujeito, esticando o peito de pombo, saca uma carteira onde diz que ele é "juiz".
A agente de transito que, provavelmente ganha 20 x menos o que Deus, ops, juiz ganha, toma uma voz de prisao e ainda é obrigada a pagar uma indenizacao de 5000 reais por "danos morais".

Eu pergunto, em que outro país do mundo vc pensaria que isso iria ocorrer se nao no Brasil?

Pois foi provavelmente isso que ocorreu no lamentável episódio em que uma agente de transito foi punida por tentar aplicar a lei, e falar umas boas verdades.

A hierarquia junto com a diferenca social está tao enraizada no Brasil que ela chega a inverter valores. A aplicacao da lei só existe pros menos favorecidos e o errado vira certo quando o sujeito tem um status ou recebe o título de "Excelencia". "O meu amigo, vc sabe com quem está falando?!", lí uma vez que se eliminássemos todos os tipos de tratamento que nós damos aos "superiores", se extinguíssemos do nosso dia-a-dia palavras como "Dr.", "Sr." "Excelentíssimo", "Meritíssimo", já teríamos uma mudanca significativa na estrutura da sociedade. Voltando ao juiz que nao gostou de ouvir que "juiz nao é nenhum ser superior", o Globo foi condenado a pagar 18 mil de multa por ter divulgado notícias onde estaria difamando o juiz http://oglobo.globo.com/rio/carreira-de-juiz-da-lei-seca-marcada-por-polemicas-14493425

(continua)





Thursday, October 30, 2014

O Progressista e a Conservadorinha

Eram totalmente opostos.
Ela era dessas conservadoras que ia a igreja todos os domingos, seu sonho era ter uma família e viver pra sempre, feliz. Era também a favor da pena de morte pra vagabundo e contra o aborto. Uma cidada de bem.
Ele, nao dava muita bola pra nada disso nao, já tinha usado tudo que é tipo de droga, LSD, chá-de-cogumelo, pego todas as mulheres possível e curtia discutir questoes pra lá de sacanas como sexo tantrico, putaria na alemanha oriental e quantas mulheres Fidel levou pra cama. Era um devasso. Tudo isso, claro, com interesse de duas coisas, converter as mulheres pro seu pensamento libertino e transar com elas depois. Um dia, casou com uma dessas. E diminuiu com isso.
A Dorinha (nossa conserva) ia todos os dias pro trabalho pelo mesmo caminho que o nosso personagem Petros Brás. Desnecessário dizer que o destino fez os dois se encontrarem um dia num bar:
- Eu vejo vc todos os dias, qual teu nome?
- Dora, mas pode me chamar de Dorinha. (toda sorridente) - E o seu?
- Petros, eu trabalho naquele prédio do lado do teu.
- Ah, claro, voce também é advogado?

Descobriram que tinham algo em comum. Descobriram também que eram casados. Mas, depois de umas cervejas, já tavam em uma cama do motel próximo aquele bar.

Meses de conversinhas via-celular, emails e chats no Whatsapp e a Dorinha estava cada vez mais afim de uma putaria. Ele, nao queria muito nao, afinal tinha um casamento sólido, coisa que nao fazia muito sentido na vida dele segundo as estatísticas. Por isso, ele mantinha a postura. Ela, por outro lado, aquela "santinha na sociedade" deixava cada frase pornográfica no celular de Petros que fariam qualquer Rita Cadilac se sentindo uma puritana.

Quanto mais ele se segurava e tentava preservar aquilo que era de mais sagrado pra ele, seu casamento, mais ela se soltava e vinha com promessas de largar o marido pra ficar com ele. E aquelas idéias progressistas e conservadoras pairavam no ar, como o anjo e o diabo que lutam pra falar mais alto nos nossos ouvidos.
Dorinha virou feminista e largou a igreja, Petros, se filiou ao Partido da Família e bons costumes e comecou a fazer campanha anti-drogas.


*baseado em fatos*

Saturday, September 27, 2014

Findhorn, coletivo desorganizado e socialismo como consequencia natural.

Há uns dois anos, um vizinho que eu tinha quando morava no interior da Irlanda, me emprestou um livro chamado "The magic of Findhorn". Eu deixei o livro encostado, até porque julguei pela capa e pelo meu vizinho que era ligado em misticismo que o livro seria alguma bobagem de ficcao e fantasia. Estava enganado. Meses depois, depois de me livrar de um emprego em que eu tava muito insatisfeito com tudo, eu peguei o livro pra ler. Devorei acho que em uma semana. O livro comeca contando as experiencias do escritor numa comunidade onde tudo parecia ignorar as leis naturais. Vegetais cresciam em solo antes infértil por exemplo, e alguns eventos místicos aconteciam no lugar. Até aí eu pensava que era mesmo um livro de ficcao.

Mas, o lugar existe e está localizado na Escócia. Hoje é uma comunidade que conta com centenas ou talvez milhares de pessoas do mundo inteiro. A idéia é bem simples, viver de forma cooperativa e conectada espiritualmente com o planeta. É também um retiro espiritual e eles administram constantemente workshops sobre permacultura e vida sustentável.

Naquela época eu já tava fascinado com esse negócio de viver bem com o mínimo de $ possível. Nao estava contente no trabalho e queria tentar algo diferente. Esse livro veio na hora certa. Eu poderia ir pra lá tranquilamente, mas na época faltou dinheiro. Logo depois acabei arrumando outro emprego entao deixei a idéia encostada.

Hoje em dia eu sei que existem várias dessas comunidades espalhadas pelo mundo e no Brasil mesmo tem algumas. A idéia é bem simples, voce vive do que voce planta, voce recicla, e usa energia solar por exemplo, além da própria moeda de troca local.

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Partindo pra um campo mais filosófico e político, chegamos a um ponto onde tá todo mundo em frenesi. Nunca foram vendidos tantos soníferos, tranquilizantes, drogas legais que sao prescrevidas e adquiridas tao fácil quanto comprar água no mercado. Quem veio daquela era do sexo, drogas e rock n' roll dos anos '70 hoje está calminho e sob controle gracas a valiums e prozacs. No 'I am Ozzy', autobiografia divertidíssima do sujeito mais louco do heavy metal, ele conta como tem que balancear as mil drogas que ele toma pra se manter sóbrio. Uma delas causa impotencia e daí ele toma viagra antes de transar, só que o antidepressivo inibe a ejaculacao. Resultado, Ozzy fica com erecao por horas, mas nao chega nos finalmentes nunca. Se temos essas drogas legais livres leves e soltas, por outro lado voce tem campanhas e campanhas anti-drogas ilegais, seja na tv, nas ruas e muito dinheiro é gasto com elas, além de tornar Rehabs em verdadeiras empresas. Todo esse aparato me deixa mais convencido que nosso sistema é muito hipócrita e recheado de tapa-buracos. Tapa-buracos como seguros de saúde, clínicas de aborto, instituicoes de caridades pra fome na África, ou ONGs que sao verdadeiros negócios. Além desses tapa-buracos, estamos há muito tempo na era do descartável. A informacao circula 1000 vezes mais rápida, mais abrangente e em maior quantidade do que circulava há 20, 30 anos. É desnecessário dizer o quanto esse fenomeno afeta nossa forma de pensar.

Lembro que ouvi um cidadao dos EUA dizer, há décadas atrás, que os americanos sao um povo que se entedia facilmente, e precisam estar constantemente em contato com o novo, com algo que entretenha-os. Pois, guess what? We are living in America, como diz o Rammstein. Estamos cada vez mais americanizados e precisamos de entretenimento constantemente pra nutrir nossas vidas entediantes. Por outro lado faltam idéias. O mundo 'livre', quem diria, vive num ócio coletivo, ou seja, estamos pensando igual e respondendo igual a estimulantes. Aquela crítica que os capitalistas sempre tiveram ao socialismo, de dizer que nós somos seres humanos diferentes e que tentar socializar nao dá certo por conta disso, nao se faz valer no sistema que vivemos. Vivemos pra sobreviver, pra pagar contas, trabalhar, e se divertir dois dias por semana. As redes sociais sao um antro de gente carente por atencao, pessoas que querem se destacar sobre as demais, já que na vida social provavelmente essas pessoas nao passam de mais uma. O narcisismo é mesmo a única maneira que essas pessoas tem pra manter a individualidade delas. Se tem algo que eu nunca acreditei e que está fadado a morrer é o culto a personalidade. Os heróis de antigamente nao passam de figuras em livros de história hoje em dia. Faltam líderes de movimentos hoje, talvez por faltarem assuntos que convencam a massa de que ela deve cultuar um líder. O que se tem hoje em dia sao grupos de protestos, mas nenhuma lideranca. Ninguém ousa! Até na música isso se reflete, na pop music hoje em dia é muito, mas muito mais difícil voce ficar famoso e sustentar uma carreira por muito tempo do que era 20 anos atrás. Estamos mesmo na era do coletivo desorganizado.

Sendo a favor de um modelo social, nao quer dizer que eu vá ser igual a voce e que vamos todos agir igualmente. Vamos sim, ter as mesmas oportunidades de educacao, os mesmos direitos. - Sou a favor de muito mais direitos trabalhistas, como exemplo, a diminuicao da jornada de trabalho pra 4 dias/semana, e assim, teremos mais tempo pra viver. Em países desenvolvidos hoje em dia se trabalha bem menos horas porém se produz mais. Com isso se tem mais tempo pra viver. Se houver menos competicao no local de trabalho e mais cooperatividade, eliminaremos sentimentos fabricados pela sociedade ultracompetitiva, como a inveja, stress e outros sentimentos negativos. - Sou a favor da legalizacao das drogas (apesar de nunca ter usado nada além de alcool). - Sou a favor da distribuicao de renda, extincao de monopólios, incentivos aos micro/pequenos mercados e mercados locais, sou a favor da descentralizacao de poder, por exemplo, sou a favor de Estados sendo totalmente desfragmentados em comunidades de auto-gestao. Os modelos escandinavos sao os que mais próximos estao de algumas dessas práticas que eu citei, ou seja, é totalmente viável pensar num modelo assim. A grande dificuldade é que, um modelo pra 'pegar' só existem duas maneiras, ou se torna uma causa abracada mundialmente, pelos esforcos de absolutamente todos os governos do mundo, ou se impoe na base de muitas vidas sacrificadas e a forca. Eu, logicamente, prefiro pensar que a primeira é a melhor opcao, uma transicao gradual e conjunta ia levar-nos a uma sociedade muito melhor. A única arma que nós contamos que tem o poder de fazer isso é o Estado. Ou seja, precisamos de mais Estado, pra daí termos uma democracia participativa, como o que ocorreu na Islandia e a partir daí, pensarmos na descentralizacao de poder e fim da repressao, coercao e controle.

Por fim, nao posso em hipótese alguma concordar com o conformismo daqueles que insistem que nao existe alternativa pra esse modelo. O mesmo conformismo que diz que o capitalismo tem muitas falhas mas que nao tem nada melhor. Esse conformismo é apenas uma prova de o quanto estamos medíocres, de o quanto aprendemos a absorver tudo que é falácia que é passada pra gente e usar aquilo como verdade. Tudo é mutável, até o sistema e relacoes de poder. Vai por mim ;-)


Sunday, November 11, 2012

Dia de los muertos Cabaret




  • downstairs @ The Adelaide, Wine Street Car Park, Sligo.
  • 4th Friday Art Club and The Countess Cabaret host Dia de los Muertos themed fundraiser (for Open Tradesclub) with art, live music, burlesque, bellydancin and all round booty shakin! Lady of the Dead competition and life drawing with burlesque babe Tipsy Bourbon and photobooth to capture all those lady Catalina and princes of death!

    Live music from Darktown
    DJ set by DJ Turd - Alternative, Rock, Indie, Old School
    DJ Dilly Dream
    Burlesque with Miss Jet
    Comedy by Barry Cullen
    Tribal Bellydance by Kadri
    Performance of "The Black Cat" Patrick Karl Curley
    Live Art by Hilary
    More TBA

    Door tax: 7 euros.
    Burlesque life drawing 7-8pm
    Performances start: 9pm

https://www.facebook.com/events/478547712166929/

Tuesday, October 30, 2012

Last days in Sligo...and counting

It seems that the universe is trying to push us back to the big schmoke! I got a job there starting next week and wish the world could feel half of my excitement right now. After nearly 4 years living in Sligo County (I moved in January 2009) there are some things to be missed. Sligo is definitely one of my favorite counties in the west and living in Rosses Point just makes the farewell even harder. Fishing, the quietness, the silence and the lack of traffic, except when you face some tractors that keep you slow for some minutes. There are some pubs in particular that I will miss too: Harry's in Rosses Point (the best seafood chowder I think I ever had) The beach bar and The flying horse in Templeboy, and few others in Sligo town. I am gonna miss some of the friends that I made in the past few years too. On the other hand most of them got jobs/moved to other places before me so it was really about time to go, I guess. Sligo is one of the best surf spots in Ireland with places like Strandhill, Tra bhui, Enniscrone and some others that I didn't have a chance to try. Enniscrone is also another place that I will miss, that is for sure. Spending one evening in one of their pubs having some nice dinner, walking along their long beach, fishing by the pier, sea bath at the seaweed house, that place smells like holidays 24/7. Our current place too. Living in Sligo is to enjoy a different pace of life. 

On the other hand we are both city people. We realized we can't live that far from the city. Although there is traffic, stressed people, lots of people everywhere you go, there is that buzz, that sort of buzz we don't have in the country. I have also some friends + my in-laws, kaz family waiting for me there which makes my moving not that complicated. There is also a chance of dusting off my bass and take part in some cool jams. Dublin smells like music, a good one. I will finally become a member of the Irish Whiskey Society since their events only happen in Dublin and hopefully will keep my old habits on (fishing, homebrewing). No surfing though :-( I should point out that Dublin is perhaps few degrees warmer than here, I've noticed that in many times when I was walking with only t-shirts on the rest of dubliners would have scarves, gloves, hats and coats on. 

Till next time

p.s.: Things are going well with my dad. He is keeping an-eye on his intakes and probably feeling much better. Can't wait to visit them probably early next year. 



Monday, October 1, 2012

Rosses Point

Just a quick one. We haven't got the internet at home yet so every day we come down to the hotel to use their wifi. Below you will find some pictures I took this afternoon in our new village. I was told I am living in the posh area of Sligo which I think it makes sense. I am also unemployed so it feels like on holidays. Hopefully (or not) this will change soon. All these photos were taken with my mobile phone so their quality is not good, however am quite pleased with their colors, I call it "the autumn effect" :-) One of these photos shows a statue of a woman, which is in memory of those who lost their lives at the sea. The woman is representing their moms, begging for their safe return...I know, a bit emotional

If you ever come down to Sligo, make sure you visit Rosses Point and if you are a bit hungry try the seafood chowder at Waterfront, its yummy!









p.s.: got the good news that my dad is going to be discharged from the hospital this wednesday...no words to describe how happy I am :-)