Tuesday, September 7, 2010

Post apropriado ao dia 7 de setembro

Olha que coisa interessante. Alguns dias atrás a Karen veio falar pra mim sobre algo que ela leu num dicionário mitológico Irish, herdado do seu avô. Havia lá a origem da palavra Brasil. Dizia que essa palavra vem do celta-irlandês e talz. Não dei bola nenhuma pra isso, expliquei pra ela que Brasil vem de "pau-brasil" por conta das árvores existentes lá e seguí com o que eu tava fazendo na hora.

Hoje, resolvi dar uma olhada no Wikipedia sobre a origem dessa palavra. Fiquei pasmo em descobrir que existe uma forte chance da Karen estaR certa! Pesquisei mais a fundo e descobri outras páginas sobre o assunto. Aqui embaixo vão trechos desse estudo filológico (eita) que eu aposto que você também não fazia a menor idéia:

"...em 1967 Adelino José da Silva d'Azevedo acrescenta à bibliografia sobre o assunto um volume de quatrocentas páginas, Este nome: Brazil, em que a origem celta lhe aparece como indiscutível."

"O estudioso irlandês O'Connor Daunt em 1848 defendeu no Rio de Janeiro a tese de que o nome Brasil vem do topônimo irl. Hy-Brazail, ilha do Atlântico referida pelos antigos irlandeses.
Celta breasail, 'princípe'. Para monsenhor Fergo a síncope do e e do segundo a determinam a mudança de breasail em brasil, grafado com s. A transposição de sentido viria de trajarem os príncipes roupas vermelhas, donde o vocábulo celta passaria a designar o madeiro de mesma cor usado em tinturaria."

"Adelino José da Silva d'Azevedo, em Este nome: Brazil (1967), reduz as 11 hipóteses restantes a uma única: Brasil grafa-se com z e é de origem céltica. Demonstra ele que os fenícios, notáveis navegadores e comerciantes, mantinham intenso comércio de óxido de estanho, de corante vermelho mineral, com os celtas, povo metalúrgico e mineiro, que extraía esse produto desde a Ibéria até a Irlanda. Nesse intercâmbio, os fenícios foram seguidos pelos gregos, que designavam o óxido de estanho e o vermelhão dele obtido por kínnabar, kinnábari (lat. cinnabar, port. cinabre, cinábrio, esp. cinabrio, it. cinabro, ing. cinnabar, al. Zinnober etc.), denominação aplicada depois ao tom vermelho de qualquer matéria-prima. O gr. kínnabar, kinnábari forma-se da raiz kínn, que traduz a idéia de metálico e rubro', de na, 'qualidade de ser metal, de ser rubro', e da particular bar , 'sobre, em cima de, superioridade'. Uma característica do céltico era a próclise das partículas, em oposição á ênclise grega."

"Assim. entende-se como o gr. kínnabar, kinnábari corresponde ao barcino, brakino, breazail céltico, também nome do vermelhão.
Dos contatos comerciais estabelecidos entre gregos e celtas a partir do séc. VI a.C., resultou que, por essa época, o celtismo brakino e o ítalo-celta verzino suplantaram respectivamente o gr. ,kínnabar, kinnábari, e o germânico zinnover, zinnober, todos com sentido afim. O esp. barcino, bracino, barzino, port. color varziano (em D. João I), 'avermelhado', confirmam a ocorrência das grafias celta e ítalo-celta. Mas é no irlandês, onde permanece mais vivo o substrato céltico, que se documenta melhor a ocorrência do barcino, brakino, breazil. O título de um poema do bardo Moore, escrito em inglês, é O'Brasil, palavra irlandesa também referida pelo folclorista O'Flaherty ( -1718).
A origem do irl. O'Brazil é o celta Hy Breasil, 'descendentes do vermelho', onde o s é igual ao z (Hy Breazil, portanto), do celta breasil, breazil, ' vermelho'. Ressalte-se que o s do celta breasil só foi transliterado pelo s latino por erro de interpretação gráfica dos monges. Ele deve ser escrito z. Hy Breazil (celta), O'Brazil (irl.), 'descendentes do vermelho', é uma referência aos gregos e fenícios, pois ao deixarem de comerciar o vermelhão com os celtas, eles desapareceram nas brumas do Atlântico, tornando-se um povo mítico e afortunado, que nunca voltou à Irlanda, porque vivia feliz na misteriosa e paradisíaca ilha do Brazil."

"Segundo Adelino d'Azevedo, o sufixo-il. no irl. Brazil, é uma derivação céltica, ao contrário da suposição de muitos filólogos, que o consideram formado dentro do português, para justificar o étimo germânico bras(a), port. brasa e sufixo -il. No indo-europeu e celta, o in passa a il (n>l), o que explica bracino > brazino> brazilo brazil. A permanência de brazino, brazil, como designativo do corante vermelho, da madeira e, em geral, da cor vermelha, explica-se por essa palavra referir-se a uma arte caseira, onde permanece o vocabulário indígena em detrimento do oficial. Daí brazil ter afastado o lat. ruber como nome do corante vermelho usado na arte caracteristicamente caseira da tinturaria."

"As raízes etimológicas do termo "Brasil" são de difícil reconstrução. O filologo Adelino José da Silva Azevedo postulou que se trata de uma de procedência celta (uma lenda que fala de uma "terra de delícias", vista entre nuvens), mas advertiu também que as origens mais remotas do termo poderiam ser encontradas na língua dos antigos fenícios."

As fontes sao extremamente confiaveis entao basta ler e decidir. Meu sogro ha pouco tempo foi mais longe dizendo que os fenícios estiveram na América muito antes de Colombo. E eu antes meio incrédulo, agora to mais disposto a crer nessas "viagens", hahaha

Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
http://www.achetudoeregiao.com.br/ATR/O_nome_do_brasil.htm
Enciclopédia Britânica Brasileira

1 comment:

K∂riиє* Smith. said...

Então, começei a aprender história de verdade depois que o Breno chegou na Irlanda, é tanta novidade (entre essas que vc citou) que 1 fico tonta, 2- revoltada, 3 - com cara de tacho em descobrir que somos quase uma farsa! hahahaha

vivendo(na Irlanda) e aprendendo...